Pra que nos serve o Mercosul?

POR MICHELE WIDHOLZER GODOLPHIM

O Mercosul é um motivo para se preocupar.

Esse mês, o Mercosul entrou na pauta dos debates brasileiros graças a controversa presidência do bloco pela Venezuela que foi renegada pelo Brasil. Essa situação fez aflorar muitos sentimentos a respeito do bloco que já são latentes fazem vários anos, a sensação geral é de que o Mercosul não deu certo e há um grande pessimismo em relação a seu futuro. Mas a situação não é assim tão simplista e o fato do Mercosul estar passando por dificuldades deveria ser motivo de tristeza, e não indiferença, para o povo brasileiro.

 

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logo oficial dos 25 anos do bloco

 

Em 2016, o Mercosul completa seus 25 anos de vida com poucos motivos para celebrações. O bloco que foi criado com a esperança de se tornar o Mercado Comum do Sul, mal chegou ao patamar de união aduaneira incompleta e tropeça em inúmeros desafios institucionais, políticos e econômicos. Entretanto, a mais saliente dificuldade do bloco para o grande público é o fato de ele ser um bloco econômico profundamente dependente das aspirações e ideologias políticas dos governos de seus países membros.

O Mercosul não é independente para tomar os rumos econômicos mais favoráveis a América do Sul pois  ele é limitado pelos debates e pelas crises políticas de cada um dos Estados que o formam.

                O que falta é a visão de que um bloco econômico regional transcende a lógica doméstica de “esquerda versus direita” ou “liberalismo versus protecionismo”. Blocos regionais são instrumentos de cooperação e crescimento que podem ser usados e adaptados pelos mais diversos ideais de governo. Atualmente, raríssimos são os países que dispensam essa ferramenta de desenvolvimento econômico e projeção regional – dos capitalistas Estados Unidos até a comunista China, os países que tem aspirações de crescimento econômico, aumento da bem estar das suas populações e posicionamento relevante na política internacional se aliam aos seus vizinhos em busca de benefícios mútuos.

Não somente a integração regional faz sentido político na eterna busca de equilíbrio do relacionamento entre as potências mundiais e a busca por um sistema internacional multipolar, ela também é o melhor canal para pequenas e médias empresas começarem seu processo de internacionalização.

Não é realista para a maioria das empresas médias brasileiras competirem com as produções chinesas pelo mercado europeu, por exemplo. Não apenas a Europa é longe, com enormes custos de logística para se ofertar produtos brasileiros nesse continente, além disso a China têm custos de produção muito menores que o Brasil e oferece uma escala muito mais atraente aos europeus.

Essa situação se repete em praticamente todos os territórios, as empresas brasileiras enfrentam competição com a produção da China, dos Estados Unidos, e regionais em situação bastante desfavorável. O Brasil tem uma indústria fragilizada, e não desponta como líder nem no quesito tecnológico nem em custo baixos de produção. Nem a abundância de recursos que nosso país oferece é suficiente para superar as deficiências produtivas que enfrentamos.

Torna-se extremamente difícil uma empresa brasileira se posicionar de maneira competitiva internacionalmente.

 Por outro lado, a Argentina, o Uruguai, o Paraguai e a Venezuela oferecem mercados para expansão com custos logísticos muito menores, preferências tarifárias, além de proximidade linguística e cultural que podem ser aproveitados pelos empresários brasileiros. É muito mais viável a exportação de pequenas e médias empresas aos nossos vizinhos, do que busca mercados além mar. A internacionalização de pequenas e médias empresas, embora cheia de desafios, oferece grandes oportunidades para os empresários brasileiros.

Aumentos de escala, posicionamento, relevância, aprendizagem, e parcerias são apenas alguns dos ganhos a se receber no processo de internacionalização. Ainda que incompletos, o Mercosul oferece benefícios e estruturas para facilitar o comércio dentro do bloco, e as empresas que se apropriarem disso podem  alavancar seu crescimento.

Apesar disso, são poucas empresas que se utilizam desses incentivos e começam sua exportação para o Mercosul. As barreiras ainda parecem intransponíveis para a maioria. Como já descrito, o Mercosul fica preso nas lógicas políticas e não oferece soluções mais práticas para os empresários.

Todavia algumas empresas insistem e tiram grandes sucessos da estrutura do Mercosul, o bloco foi onde muitas das empresas brasileiras hoje internacionais começaram suas exportações.

O sonho é que um dia fazer comércio para os países do Mercosul seja uma maneira fácil de todas as empresas brasileiras começarem suas exportações, e usar essa estrutura para posicionar o Brasil ao nível da concorrência internacional em todos os países. As falhas do Mercosul são uma perda a todos os brasileiros que sonham em ver a indústria brasileira par a par com as multinacionais.

 

Michele Widholzer Godolphim é formada em Relações Internacionais com ênfase em Marketing e Negócios Internacionais, e faz parte da equipe INEX Inteligência, Estratégia e Ação.

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A INEX é uma empresa de Inteligência, Estratégia e Ação que além de desenvolver projetos e serviços empresariais, sacia o seu ímpeto curioso através deste blog. Nele, trazemos o que há de vanguarda em diferentes áreas de conhecimento do mundo dos negócios.Te convidamos para também acompanhar as nossas redes e seja como for, se conectar conosco e compartilhar as suas idéias.

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