COMPORTAMENTO: Millennials não tem vergonha de pechinchar

Muito fala-se sobre os millennials, sobre sua falta de relações duradouras, sobre sua juventude interminável (a geração que mais reluta em chegar na vida adulta), sobre seu hedonismo, sobre suas mídias sociais e seus virais. Agora, nota-se outra faceta do comportamento dos millennials – eles gostam muito de economizar dinheiro.

Especialistas norte americanos se esforçam para mapear os padrões de consumo dessa geração que se tornará a líder em poder de compra nas próximas décadas, e algumas de suas preferências já são bem conhecidas: gostam de comprar de fornecedores locais, produtos menos industrializados, escolhem marcas por afinidade emocional, trouxeram expressões como farm to table, gluten free, cruelty free, compra experiencial, crowdfunding, economia compartilhada. Então é de se espantar que junto com essas tendências de consumo consciente cresce também o consumo de lojas de 1,99 – as dollar shops americanas.

ptrcoverWhole Foods é um dos ícones da busca de consumo consciente dos Millennials

A primeira explicação para esse fenômeno é que, embora almeje por esse consumo mais consciente, os millennials norte americanos são uma geração profundamente endividada. Em 2016, o formando de uma universidade norte americana tem em média 40 mil dólares em dívidas escolares.

Além de ganhar dívidas, os Millennials perderam uma coisa – a vergonha.

No Brasil, não é tão comum o endividamento para cursar universidade, mas ainda assim as lojas de 1,99, os Outlets, as promoções de fim de estação, os brechós (virtuais e físicos) estão em franco crescimento. Uma coisa bem clara para os Millennials é que não existe nenhum tipo de tabu na busca por pagar menos.

Enquanto os baby boomers e a geração x ainda sofriam com o estigma atrelado a arte da pechincha, os millennials superaram essa visão – agora vergonha é gastar dinheiro demais em algo que podia ter sido mais barato. Como disse Macklemore em sua música Thrift Shop “50 dólares por uma camiseta é coisa de ignorante”

macklemore-thrift-shop-reviewMacklemore e Ryan Lewis foram porta vozes de uma geração de pechinchadores com sua música a respeito de compras em brechó

Pesquisas apontam que no mercado americano, até famílias de alta renda compram em 1,99. Famílias com renda superior a 100mil dólares anuais correspondem a quase 20% das vendas anuais desse ramo. Até Wall Street aposta no crescimento das lojas de 1,99 e compras de baixo valor, e as ações dessas grandes empresas não param de crescer.

Todd J. Vasos, executivo chefe do grupo Dollar General afirma “Os consumidores millennials são um segmento que eu estou feliz de ver emergindo como clientes da Dollar General, pois é um segmento extremamente importante para o futuro do comércio”.

Na 99 Cents Only, outra rede de 1,99 norte americana, consumidores entre 18 e 39 anos já são quase 40% das vendas. “Com os millennials, não tem nenhum estigma em comprar em lojas de 1,99 porque eles cresceram em um ambiente diferente de nossos pais, que cobiçavam mais as coisas. Nós somos mais frugais porque nós tivemos que ser…e não tem nenhuma vergonha nisso, os millennials sabem.”

No mercado brasileiro, embora ainda não tenhamos visto crescimento significativo nas lojas de 1,99 especificamente, diversos outros segmentos similares despontaram. O mais significativo  é o segmento de brechós, principalmente os online. Para uma geração que cresceu ouvindo falar no eBay, e procurando coisas no MercadoLivre, não foi difícil aceitar a OLX, o Skina e a Enjoei. Também crescem os grupos no facebook de brechós/venda de artigos específicos para uma região, seja um bairro, uma cidade, uma faculdade.

 

enjoei_oficina1A Enjoei junta a vontade de economizar com a paixão por compra experiencial com uma descrição de produtos divertida e bastante conectada com seu público alvo

E não é só na compra de usados que os millennials buscam satisfazer sua necessidade de pechinchar. Também deve-se a essa geração a reinvenção dos cupons de desconto. Pelos anos 90 e início dos 00, cupons de desconto nos EUA vinham em jornais para classe baixa e sofriam com enorme tabu, pois eram usados apenas por famílias em situação de pobreza; enquanto que no Brasil, não eram amplamente difundidos. A primeira tentativa de reinvenção dos cupons de desconto foi com os sites de compras coletivas, como o Groupon, que em seguida evoluiram para as plataformas de cupons de desconto muito utilizadas como o Roubadinhas e o Mobo. Esses apps para cupons começaram focados em alimentação, providenciando uma conexão entre restaurantes que queriam novos clientes, e pessoas que queriam conhecer um lugar novo. Agora surgem apps de descontos em novos segmentos, como o Benefit Now que aposta no mercado de beleza.

Não faltam exemplos de novas empresas e negócios que foram criados na ânsia dos millennials em economizar dinheiro, o que pode colocar a busca por pechinchar em igual nível a busca por alimentação saudável e experiências de consumo na lista de prioridades dessa geração.

Fontes: Bloomberg, Student Loan Hero,


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