FUTURO: Prós e Contras de Gerentes Robôs

Talvez ainda pareça debate para um futuro muito distante: automatizar cargos de nível gerencial, que demandam inteligência tanto quanto habilidades sociais. As indústrias ainda trabalham no desenvolvimento de robôs para as tarefas mais físicas e repetitivas. Entretanto, como discute a Harvard Business Review, essa realidade pode estar mais perto do que imaginamos.

Atualmente, algumas das principais tarefas de um gerente ou supervisor já são de algum modo auxiliadas por softwares e inteligência artificial, tais como: usar dados para avaliar problemas, tomar decisões melhores que o time, monitorar a performance da equipe, criar metas relevantes e oferecer feedback preciso.

E mesmo que os robôs atuais não sejam perfeitos nessas tarefas, a verdade é que supervisores e gerentes humanos também falham com frequência. Pesquisas ao redor do mundo demonstram que trabalhadores não se sentem engajados em suas empresas, e que a gerência é um problema para a maioria deles. Supervisores humanos podem apresentar comportamento tóxico contra seu time, podem ter preconceitos e viés a favor ou contra certos colaboradores ou clientes, e podem até mesmo ser cruéis com aqueles que deveriam apoiar.

Fica claro então, que no âmbito de performance gerencial, necessitamos apresentar melhores opções ao mercado e a automatização dessa função pode ser uma solução possível em alguns anos. Com isso em mente, vamos considerar os pontos contra e os a favor da alocação de robôs em cargos de gerência e supervisão.

A FAVOR

EVITAR CONFLITOS. Mesmo que tecnologia possa ser frustrante muitas vezes (principalmente quando não funciona como deveria), é muito mais difícil brigar com um computador do que com uma pessoa, porque o computador não escala a situação. Mesmo que o robô-gerente tenha uma personalidade, ele não irá iniciar uma discussão com o colaborador, pois ele não tem emoções reais. Robôs não irão implicar com funcionários específicos por preconceitos prévios ou por não gostar deles. E por sua vez, os funcionários não vão sentir que estão sendo perseguidos pelo software. Computadores não têm apegos, dias ruins, bagagem emocional, problemas com a família ou medo do futuro, o que os torna mais justos em suas decisões – humanos se importam demais e isso atrapalha nosso julgamento.

FEEDBACK OBJETIVO. Mesmo com todos os softwares, estudos e dados disponíveis para os gerentes humanos, eles ainda tendem a seguir sua ‘intuição’. E decisões intuitivas abrem espaços para vieses inconscientes (e conscientes), criando nepotismo e uma cultura política onde colaboradores podem se sentir tratados injustamente. Até mesmo quando os gerentes e supervisores humanos tem boas intenções, pesquisas mostram que eles muitas vezes são incapazes de oferecer feedback objetivo porque eles não querem conflito, ou tem ciúmes, ou simplesmente não sabem julgar os colaboradores de maneira objetiva. Uma vez que performance e potencial podem ser quantificados, colaboradores irão receber melhores feedbacks de robôs do que de humanos.

MELHOR TOMADA DE DECISÃO. Em uma era onde temos sobrecarga de informação, o cérebro humano é incapaz de processar o vasto mar de dados para transformar informação em conhecimento.  É por isso que a Hitachi introduziu um Chefe-computador para analisar a melhor solução para problemas e instruir seus colaboradores no que fazer. Claro que algumas situações são complexas demais para automatizar, mas a maioria não é.  Como disse Norbert Wiener, pai da cibernética, décadas atrás: “Qualquer coisa que nós deixarmos de um jeito claro e inteligível, pode ser feita por máquinas”. Em outras palavras, se existe um processo ou algoritmo,a IA pode replicar e aperfeiçoar.

CONTRA

IA PODE ERRAR. Algoritmos já estão tomando “decisões executivas” quando eles recomendam qual motorista do Uber você deve evitar, ou qual vendedor da Amazon é mais confiável, e qual notícia do Facebook é verdadeira. Entretanto, IA não é infalível. Por exemplo, o conhecimento de dados como que mulheres são sub-representadas em cargos sênior e que negros tem maior propensão a serem presos por crimes pode levar a IA  a oferecer cargos com maiores salários a homens e selecionar apenas os brancos. Nessas situações, ainda que o software não tenha preconceitos, suas decisões se baseiam em históricos humanos racistas e sexistas, e reforçam o preconceito ao invés de combatê-lo.

EXISTEM LIMITES PARA O QUE OS ROBÔS PODEM FAZER. Ainda que robôs sejam muito eficiente em tarefas mundanas, eles falham miseravelmente nas tarefas extraordinárias. Por exemplo, estamos muito longe de criar uma IA capaz de criatividade, empreendedorismo ou que veja uma possibilidade de mercado e crie um novo produto. Algoritmos otimizam possibilidades já existentes conectando vastas quantidades de informações de maneira impossível para humanos. Mas a real inovação, entretanto, é usar informação para achar novas conexões e possibilidades, e isso envolve produzir comportamentos inesperados. Um robô pode te indicar qual o melhor hotel para reservar, mas nunca teria inventado o AirBnB. Claro que a maioria dos humanos também é incapaz de fazer isso, entretanto eliminar a capacidade de criatividade e inovação dos cargos de gerência e supervisão pode deixar o trabalho ainda mais maçante para o time.

HUMANOS PRECISAM DE CONTATO COM HUMANOS. Não apenas robôs não tem sentimentos, mas a Inteligência Artificial ainda está muito longe de ser capaz de identificar como as pessoas sentem. Um robô não entende que você está com um desempenho profissional ruim porque está resfriado, ou porque seu cachorro morreu. Claro, isso também pode ser uma realidade para gerentes humanos, mas as pessoas tem maior propensão de perdoar  e entender alguma falha do que as maquinas, afinal desenvolvemos empatia. Na mesma linha, colaboradores querem reconhecimento e apreciação de outros humanos e não de computadores. De fato, estudos demonstram que recompensas vindas de humanos oferecem muito mais sentimentos positivos do as que recompensas vindas de máquinas.

Por fim, vale ressaltar que provavelmente a escolha de gerência não possui ‘tamanho único’ para todas as empresas. Então é possível que alguns trabalhadores prefiram um supervisor robô (particularmente aqueles traumatizados por chefes abusivos) e que, neste caso, a IA ofereça um processo gerencial mais tranquilo e justo para estas empresas. Entretanto, outras pessoas e organizações podem achar que o valor do contato humano, a criatividade e as emoções provindos de gerentes humanos são mais importantes do que uma melhor análise de dados.

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